Música, teatro e dança: Projeto da UFJF leva teatro musical à comunidade juizforana
- Carol Cadinelli

- 10 de abr. de 2019
- 4 min de leitura
Atualizado: 27 de mai. de 2019
Iniciativa da Faculdade de Música da UFJF, Projeto Orfeu oferece formação gratuita em musical e ópera.
O glamour da Broadway e a sofisticação das Óperas habitam o imaginário de muitas pessoas que desejam ou que já trabalham no meio teatral. O casamento entre música, dança e teatro é encantador, e o equilíbrio entre as três artes caracteriza um artista completo - que é altamente valorizado no meio artístico. Contudo, são raros os cursos que oferecem esse tipo de formação interdisciplinar e, quando existem, costumam ser de difícil acesso, devido ao alto nível de qualificação dos instrutores e de dedicação que o trabalho demanda.
Porém, em Juiz de Fora, essa realidade começa a ver mudanças. Entre tantos projetos de popularização do teatro, o Projeto Orfeu se destaca por sua originalidade. Idealizado e liderado pelas professoras Tâmara Lessa, Ana Letícia Sukita e Michelle Flores, o Orfeu é um projeto de extensão da faculdade de Música da UFJF, que busca unir o teatro, a música e a dança através de aulas sobre teatro musical e ópera. Ele conta com aulas semanais envolvendo preparação vocal para o canto popular e lírico, desenvolvimento de expressividade cênica e exercícios de criatividade, visando preparar os alunos para a execução de musicais e óperas. A ideia do projeto nasceu a partir da percepção de uma ausência de espaços para o desenvolvimento das artes de forma conjunta. "A ideia era justamente unificar", explica a professora Tâmara Lessa, "porque as artes todas têm mais pontos em comum do que se pensa”

O projeto, que é aberto à comunidade, começou seus trabalhos na primeira semana letiva da UFJF, após selecionar 30 participantes em um processo com mais de 80 candidatos. Os selecionados participam semanalmente de aulas, ministradas separadamente para duas turmas de 15 alunos cada. Entre esses alunos, está Fernanda Vitral, que é cantora e está tendo seu primeiro contato com o teatro a partir do projeto: "Eu nunca tinha tido contato com a parte cênica, apenas com a parte musical. Venho de uma família de músicos, e ninguém envolvido com teatro. Isso me chamou atenção, o trabalho nesse lado do teatro, que, certamente, irá trazer mais desenvoltura e expressão ao meu lado musical. Vi no projeto uma excelente oportunidade de aprimorar meus conhecimentos e agregar valor ao meu trabalho - já que, atualmente, também vivo da música."
Tâmara, uma das idealizadoras do projeto, comenta que atingir pessoas como Fernanda é um dos propósitos iniciais do projeto: "As pessoas têm o direito, e elas têm a vontade de cantar. Muitas vezes esses cursos são pagos, ou são em oficinas em que você tem muitas pessoas, ou que não têm uma estrutura como se tem aqui na UFJF. E nós também queríamos que fossem pessoas de diversos níveis - então, se você pegar apenas graduandos em música ou pessoas ligadas a um conservatório, você limita muito isso e impede que pessoas que têm um grande talento – como foi o caso que aconteceu aqui – também tenham uma oportunidade de vivenciar isso";
Além disso, o projeto não só inicia um público diverso nas artes do teatro e da música, como é uma experiência bilateral. A professora Michelle Flores comenta: "Poder participar disso é muito gratificante. Poder ter essa experiência, também, como educadora, e aprender com esse projeto. Pra gente, é uma forma de agregar ao que a gente já faz. A gente ensina, mas a gente também aprende muito.”
[Acima, as professoras Michelle e Tâmara orientam os alunos do projeto em exercício de canto. Filmagem: Mel Neves; Edição Final: Carol Cadinelli]
Através dessa abertura ao público na seleção dos participantes, cria-se também um ambiente fértil para a popularização das artes - em especial, do teatro e da ópera. "[o projeto] funciona também para nós como formação de público. A gente trabalha com música e precisa de gente que ouça essa música. Não adianta a gente fazer a nossa arte se não tem quem aprecie e consuma essa arte. Não tem finalidade fazer uma coisa mais restrita", pontua Michelle; "A gente, que tá aqui na Universidade, tem acesso aos concertos, sabe onde procurar. A comunidade externa, não. Se a gente, que trabalha com isso na cidade, não oferece esse tipo de coisa, quem vai oferecer? É uma questão também de responsabilidade nossa para com o nosso público". Tâmara complementa: "É [sobre] mudar o pensamento das pessoas. Trazê-las, trazer suas famílias, e mudar o pensamento, pra que as pessoas não tenham preconceito contra as artes.”
O projeto Orfeu está programado para ter duração de um ano, e ainda não existe a confirmação sobre uma segunda edição. A rota do projeto, porém, está bem traçada: ao final do primeiro semestre letivo, os alunos de ambas as turmas levarão a público um espetáculo musical inédito e, ao final do segundo semestre, será apresentada a performance de uma ópera à comunidade Juizforana.
Se você ficou curiosa para saber mais e acompanhar o projeto, siga-o no instagram: @ufjfprojetoorfeu. E para mais novidades no mundo do teatro, siga O Picadeiro nas redes sociais!

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